Não vá lá fora
O céu estava sem estrelas, apenas a Lua Cheia brilhava e iluminava a
noite.
Ele estava sentado em uma lanchonete na beira da estrada. Tomava um
café, enquanto observava o movimento e o estabelecimento ao seu redor. Era um
lugar antigo, com umas fotos esquisitas nas paredes. As mesas não tinham
cadeiras, seus bancos eram parecidos com sofás.
Dois caipiras, com umas roupas esquisitas, estavam sentados conversando
no balcão. Enquanto um outro, de bigode aparentando seus 40 e poucos anos, passava
o pano sobre a bancada. Sem falar nada, apenas fazia movimentos com a cabeça.
Nenhum deles pareceu se importar com sua presença. Melhor assim, não gostava de
ser o centro das atenções. Fora esses dois, o dono e ele, também havia um casal
sentado no fundo. A noite parecia ir tranqüila, quando um cara todo esquisito
com umas roupas esfarrapadas, entrou dizendo:
- Eu vi! Eu vi! Eu sabia! Noite de Lua Cheia! Eu vi. Juro que vi!
- Viu o que Tarcísio? O lobisomem? - um dos que estavam no balcão falou
isso, e logo em seguida os três começaram a rir.
O casal se levantou. A moça foi em direção a porta, enquanto o rapaz ia
ao balcão pagar a conta. Logo em seguida, os dois saíram noite a fora.
O rapaz esquisito gritou para que eles não fossem, que ficassem ali
dentro que era mais seguro.
As gargalhadas haviam se encerrado. O dono da lanchonete deu a volta no
balcão, segurando o braço do rapaz.
- Tarcísio, eu não quero você assustando os meus fregueses. Está
entendendo? Se continuar assim, vou ser obrigado a proibir sua entrada aqui.
- Mas eu vi. Juro!
- Viu nada seu maluco. - Um dos caipiras retruca.
***
Ele observa toda a cena. Acha aquilo tudo engraçado. Levanta-se e pega a
sua mochila. Encaminha-se até onde estão os homens. Os quatro se assustam
quando ele se aproxima. Haviam esquecido sua presença. Ele faz um aceno de
cabeça para o dono, como que pedindo a conta.
Estava abrindo a carteira, quando Tarcísio segura seu braço e diz com
uma voz chorosa:
- Não vai lá fora, moço. Eu vi!
Ele ia falar alguma coisa, mas é
interrompido por um grito. Nesse exato momento, a porta se abre. A moça, que a
pouco tinha saído com o rapaz, entra toda suja de sangue gritando:
- Por favor! Ajudem-me! Ele matou meu namorado!
Os cinco trocam olhares assustados. E lá fora, se ouve um uivo que fez
todos ficarem arrepiados.
- Eu falei que tinha visto, mas vocês não acreditaram.
( Elisangela Domingos da Silva)

Maravilhoso!
ResponderExcluir